Estou de volta com o blog! Dei uma parada por uns bons meses porque estive em campanha política e as coisas ficaram apertadas. Até colocar tudo no lugar, só agora é que estou voltando com as atividades por aqui.
Foi só a
Elle Brasil publicar a capa da sua edição de dezembro no Facebook para os
haters aparecerem, detonando a (falsa/ideia de) cintura da modelo Thairine Garcia. Disseram que foi
photoshop, que a cintura dela sumiu, que houve problema no retoque, chamaram de exagero.
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| Imagem: Reprodução / Foto: Bob Wolfenson |
Mas o lance não é bem assim. Thairine foi fotografada por Bob Wolfenson, usando vestido preto e branco Lanvin, com direção e coordenação de moda por Susana Barbosa e Rita Lazzarotti, respectivamente. O
styling da produção — a forma como a roupa foi vestida na modelo — criou uma curva, dando a impressão de uma cintura ultrafina. Na
Vogue Brasil de setembro, Carol Trentini usou o mesmo vestido (foto abaixo), com os babados brancos posicionados nas laterais e, nessa imagem, é possível ver — claramente — que existe uma parte preta na roupa.
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| Foto: Fábio Bartelt |
Um camarada e eu fomos ao Facebook defender a publicação, contando a história de o vestido ser preto e branco e ter dado essa impressão, já que a sombra da modelo no fundo fez a parte escura da roupa quase sumir. Então, um
hater veio dizendo que a Elle cometeu um erro de direção de fotografia. Aí vem a análise do conjunto da capa para mostrar que tudo foi proposital.
A chamada em destaque é em inglês e diz
Be a star (Seja uma estrela). Só isso, já nos dá alguns subsídios. Segundo Morin, as primeiras celebridades, que ele chama de estrelas, aparecem nos cinemas americano e europeu entre 1913 e 1919. Nos anos de 1930 e 1940, o cinema vai conhecer sua Era de Ouro e nos anos 1950, os musicais hollywoodianos chegariam a seus ápices.
É inegável que a imagem da capa tem inspiração na figura icônica de Marilyn Monroe, estrela do cinema dos anos de 1950 e símbolo sexual da época. A década de 1950 é marcada pela volta do
glamour e da sofisticação. É o período dos "anos dourados" da alta-costura. O
New Look de Dior, criado em 1947, vai acabar por definir a estética da década de 1950: cintura de vespa e saias rodadas. A ilusão criada pela foto da capa da Elle de dezembro é inteligentíssima ao mostrar curvas impossivelmente sinuosas, quando, em 1950, a ilusão da cintura cada vez mais fina era também conseguida por meio das saias mais rodadas. A capa conversa com a figura de Marilyn, com a estética forjada dos anos 1950 e, sua foto, reforça o convite da chamada principal:
Be a star (linda e sexy como foi Marilyn).
Uma coisa divertida é que, como um pedido de desculpas pela falsa silhueta ultra feminina e sexy da modelo Thairine Garcia, a capa traz uma chamadinha fantástica para uma matéria com Miuccia Prada em que publica-se a seguinte afirmação, entre aspas: "Uma mulher é ou não é sensual. Um vestido não traz amor a ninguém." E aí eu traduzo: Thairine (ou você, leitora) não precisa do artifício do vestido. Se ela (você) for de fato uma mulher sensual, não é o vestido que lhe trará o amor. Uma capa linda, que já vem com resposta aos
haters. Gostei demais!
Links relacionados
Do Facebook da Elle: Timeline photo
Da Elle: Thairine Garcia é a estrela da edição de dezembro da Elle Brasil