15 de fevereiro de 2013

Marie Claire chama queda de meteorito que feriu mais de 950 na Rússia de "espetáculo"

Foi um "espetáculo" a queda de um meteorito que deixou mais de 950 pessoas feridas na Rússia, segundo a fanpage da revista Marie Claire no Facebook. A página usou o que chamou de "chuva de meteoros" para chamar uma matéria sobre óculos escuros. "Tá todo mundo falando da chuva de meteoros que caiu na Rússia. Mas conta pra gente: com qual desses óculos você assistiria a esse espetáculo?", escreveu-se como legenda da foto que trazia um par de óculos escuros.
Reprodução: Facebook
Realmente, é difícil imaginar como pode alguém acreditar que esta seria uma boa estratégia para chamar uma matéria sobre óculos escuros. É sabido que a imprensa — até a de moda — usa assuntos polêmicos, catástrofes e coisas parecidas para conseguir leitores, mas desta vez a apelação foi demais. Só me resta acreditar que a pessoa responsável pelo Facebook não sabia do número de feridos (o que também é um absurdo, já que para lidar com rede social na internet, o conhecimento da atualidade é indispensável).

Assim que a chamada foi postada, apareceram comentários criticando a publicação. De fato, chamar de espetáculo um evento que deixa inúmeros feridos e hospitaliza 112 pessoas, entre elas cerca de 80 crianças, é muita falta de traquejo jornalístico. Bom que a revista fica esperta e entende que nem sempre vale tudo por um clique. A imagem, obviamente, já foi removida do Facebook da Marie Claire, que sequer pediu desculpa pela publicação descabida.

Na Vogue deste mês — fevereiro —, há uma matéria que caminha para esse apelo à desgraça. A coluna Vogue Repórter deu espaço a "fashionistas" (sim, foi esta a palavra usada) brasileiros que moram em Nova Iorque para falarem sobre como enfrentaram o furacão Sandy. Foram publicados textos de Henrique Gendre, Tatiana Abraços, Lais Ribeiro e Aline Weber. Uma forma de aliar moda e catástrofe. Mas claro, nada que se compare com a derrapada da Marie Claire.

25 de janeiro de 2013

Semana de Moda de Paris: de olho no street style

Nesses últimos dias que se passaram ocorreu a Semana de Moda de Paris, marcada por dias frios e pelos incríveis desfiles nas passarelas. Claro que todos as apresentações oficiais foram dignas de cobertura por todos os sites das revistas de moda. Não era de se esperar diferente. Mas, mostrando sua imensa capacidade de persuasão, a rua foi pauta certeira nas versões brasileiras da Vogue e Harper's Bazaar.
Foto: Ana Clara Garmendia
Que o street style é alucinantemente bem aproveitado pela internet é fato. Ver que é possível usar aquela roupa absolutamente esquisita e ficar uma belezura, já que fica lindo na Miroslava Duma, é sensacional. O caso é que a questão é maior que só a usabilidade de uma peça cheia de referências trendy nas ruas. Dá pra gente produzir algum raciocínio com isso!

A conversa entre a rua (a cidade) e a moda acontece há muitos e muitos anos. A cidade, como a conhecemos hoje é fruto da Modernidade. Quando as pessoas — lá do final do século XVII — perceberam que, ao estar na cidade, era preciso dividir o espaço com estranhos e parecer ser aquilo que você realmente era (ou, pelo contrário, parecer ser o quem você queria que pensassem quem você era), a preocupação com as roupas adequadas a cada mensagem que se pretendia passar foi sendo maior.

A cidade era — e certamente ainda o é — um verdadeiro teatro. Ter uma reputação é ser conhecido, reconhecido e singularizado. E é possível conseguir esses objetivos com a roupa. Intensificar os contrastes entre quem era da "boa sociedade" e quem era só um plebeu menos abastado, era preciso. Por essa razão, a rua acabou sendo uma verdadeira vitrine daquilo que se estava na moda. Claro, ainda não como uma apresentação de tendências, mas com uma imensa capacidade de influenciar a moda, dependendo de quem fosse fotografado. Já nas primeiras revistas de moda em que foram publicadas fotos era possível ver os disparos de street style, que eram chamados de "instantâneos".

A evolução da moda de rua foi tamanha que, em certo momento, mesmo os criadores da alta-costura, aqueles que estavam acostumados a ditar as tendências do que seria usado nas ruas, viram a necessidade de observar o street style para se diferenciar. Karl Lagerfeld foi um dos primeiros a introduzir o jeans em uma coleção de alta-costura, segundo Guilhaume Erner. Para Dior, John Galiano misturou um modelo com saias ultravolumosas sobreposto por um casaco com zíper, inspirado nas ruas.

Acontece que as personagens das ruas — principalmente essa infinidade de blogueiras e editoras de moda que são clicadas nos sites de street style — usam, exatamente, as peças do prêt-à-porter nascidas, também, a partir da alta-costura. Afinal, quem está influenciando quem?

Fato é que as revistas de moda sabem o poder que tem as ruas e usam o street style para chamar seu público. E são muito felizes com as publicações!

Links relacionados
Na Vogue: Streetstyle: os melhores casacos da semana de couture em Paris
Na Bazaar: Alta-costura: o melhor do streetstyle da semana de moda de Paris

24 de janeiro de 2013

Vogue Brasil de fevereiro tem quatro capas diferentes

E agora? Como é que a gente faz? A Vogue Brasil resolveu fazer uma edição diferente em fevereiro. Contratou Anna Dello Russo — a editora da Vogue Japão que se veste absolutamente trendy e exagerada — e o fotógrafo Giampaolo Sgura para trabalhar em todos os editoriais. O resultado? As editoras da Vogue Brasil ficaram tão divididas entre qual dos "Pontos de Vista" é o mais interessante que resolveram editar quatro capas diferentes! A promessa é de sucesso!
Magdalena Frackowiak e Izabel Goulart (Foto: Vogue Brasil)
Mirte Maas e Bette Franke  (Foto: Vogue Brasil)
Magdalena Frackowiak, Izabel Goulart, Mirte Maas e Bette Franke estrelam as capas. Tudo muito exagerado, como manda a estética de Anna. As revistas já estão nas bancas.

Visualmente, as propostas das capas são bem diferentes. Nem sei se cabe entrar na discussão sobre cada uma delas. Seria muita descrição para abarcar tanta visualidade já exposta.

Mas ainda podemos considerar algumas análises. Todas as capas têm as mesmas chamadas. Uma, a maior, celebrando o dedo de Anna Dello Russo na edição; outra, dizendo que a issue é especial por causa do Giampaolo Sgura; e a terceira, propondo uma atualização de moda e apontando tendências vindas de David Bowie, Kurt Cobain e YSL — ou o grunge e o boho, nas outras variações. A chamada Fashion Update faz lembrar a chamada principal da Vogue de setembro de 2012, para o editorial com Carol Trentini que mostrou os melhores looks do verão brasileiro e do inverno no hemisfério norte. Ou seja: podemos esperar alguma matéria com o "entra e sai" do guarda-roupa.

Interessante é notar como a Vogue conversa com um público que entende de moda. Só esse público interessa à Vogue. O leitor que vê o nome Anna Dello Russo, olha as fotos e pensa: "Só podia ser ela".

Agora é esperar a revista chegar aqui em casa. Qual capa vem para os assinantes? Eu adoraria que fosse a da Magdalena Frackowiak! Gostei demais!

Link relacionado
Na Vogue: As quatro capas da Vogue Brasil para fevereiro, assinadas por Giampaolo Sgura

14 de janeiro de 2013

Enquete da Glamour parece ter sido alvo de trolls

O site da Glamour Brasil lançou no último dia 10 de janeiro uma enquete para escolher qual de suas dez primeiras capas — desde que deixou de ser Criativa a passou a chamar Glamour — é a preferida do público. Corri e votei na capa da edição número cinco, com Sabrina Sato, porque considero a mais bonita. Inclusive, escrevi sobre essa capa aqui no blog.
Imagens: Divulgação
Para minha surpresa, a capa de Sabrina Sato tem (até as 19h14 desta segunda-feira, 14 de janeiro) 279 votos, enquanto a capa que lidera a votação, com Débora Falabella na segunda edição, tem 10.521 votos!!!  DEZ MIL QUINHENTOS E VINTE E UM??? Espera lá! Coisa esquisita isso, né? A segunda colocada, a terceira edição com Cláudia Abreu na capa tem 4.153 votos. Todas as outras capas tem votações que não passam da casa dos 200, sendo a mais votada — adivinhe! — a capa da Sabrina Sato.
Imagem: Reprodução
Só eu acho esquisita essa votação? Deixa eu só colocar umas coisinhas antes de duvidar do resultado. A Vogue Brasil também promoveu uma votação semelhante, no final do ano passado (durante dez dias), para saber quem capa de 2012 era a preferida do público. A enquete da Vogue indicou a edição de fevereiro, com Adriana Lima na capa. A enquete INTEIRA rendeu 2.500 votos. DOIS MIL E QUINHENTOS e mais nada. A capa vencedora teve 25% dos votos aproximadamente: cerca de 625 cliques. É um número bem discrepante do apresentado pela Glamour (que conseguiu mais de 10.500 votos em cinco dias!!!).

Mas claro, a Glamour é uma revista muito mais popular que a Vogue... Engano seu! A Glamour Brasil tem exatas dez edições publicadas em território nacional. A Vogue está conosco há quase 38 anos. Além disso, a Vogue tem 192.372 fãs no Facebook, contra 73.282 da Glamour.

Glamour, querida. Dá um jeito de rever essa enquete aí! A publicação está sendo alvo de trolls. Fica a dica!

Links relacionados
Na Glamour: Glamour Brasil: vote na sua capa preferida!
Na Vogue: E a melhor capa da Vogue Brasil em 2012 é...

14 de dezembro de 2012

Grampos aparentes: pode usar, as famosas também usam


A homepage da Vogue Brasil traz uma materinha muito bacana sobre o uso de grampos aparentes em penteados de festas. Segundo o título, o prendedorzinho de metal virou o "acessório da vez". Mas, por que você deve apostar nesses grampos aparentes? A ideia não é sempre fazer com que eles sumam?
Fotos: Reprodução/Getty Imagens
Para a Vogue, a razão é simples: os grampos aparentes apareceram (lógico) nas passarelas e nas cabeças das famosas. A nota do site (link lá embaixo) fundamenta o uso do acessório, mencionando marcas e estilistas como Michael Kors, Sonia Rykiel, Cacharel e Chanel, além de famosas como Emma Stone (foto acima), Diane Kruger, Hailee Steinfeld e — talvez a inspiração número um da maioria das revistas de moda — Kate Middleton.

E por quê a Vogue faz isso? Criadores, marcas e celebridades movimentam o mundo da moda. Desde Charles Worth, os estilistas adquiriram um status de artistas soberanos, cuja vontade deve ser, pelo menos, respeitada, já que suas criações transcendem a mera fabricação de produtos. São mestres, magos das formas, portanto, qualquer intervenção de um criador deve ser considerada. Se eles colocam em suas passarelas modelos usando os grampos aparentes é porque chegou a hora de olhar os grampos também como adornos.

Grifes são etiquetas que carregam consigo significados, espaços sociais, dimensões hierárquicas, estilos de vida, benefícios simbólicos, identidade, legitimidade. Paul Poiret, quando resolveu expandir a atuação de sua casa, a fim de concorrer com o mercado americano, estava, na verdade, criando um novo sistema para a moda, em que a marca ganha o poder de promover experiências fortes e excepcionais, como diria Elyette Roux, em O Luxo Eterno. Quando você se identifica com uma marca, ela tem uma legitimidade tal capaz de fazer você andar por aí com grampos aparentes na cabeça. E mais: achar (e até ficar) muito legal!

Celebridades são seres que geram projeção e identificação desde os anos de 1910, no cinema. São capazes de vender qualquer coisa, como diria Morin. Se uma celebridade verdadeiramente influente pisar em um tapete vermelho usando um grampinho aparente, há grande chance de ser ali consolidada uma tendência.

É isso que a Vogue tenta, aliás. Mostrar o que vai ser moda — tendência — antes de ser moda. Inclusive, na página de assinaturas do site, o título de um breve texto é "Antes de estar na moda, está na Vogue". Para isso, a revista usa três dos principais atores da moda: criadores, marcas e celebridades. Mas não é só na questão dos grampos: toda promessa de tendência pode ser alvo dessa fórmula! E lá vamos nós sermos convencidos de que o grampo aparente é o acessório de cabelo da vez! Tomara que pegue! Eu gosto.

Link relacionado
Na Vogue: Grampos aparentes viram acessório da vez para penteados de festa
Na Vogue: Antes de estar na moda, está na Vogue

9 de dezembro de 2012

Estilo e Azul-Klein: moda e arte interagindo


Hoje, o Facebook da revista Estilo me surpreendeu com uma imagem (abaixo) acompanhada de um link que dizia o seguinte em sua chamada: Azul-Klein segue com fôlego total no verão.
Imagem: Reprodução
A montagem de fotos chamou minha atenção graças ao uso do nome da cor: Azul-Klein — denominação patenteada pelo artista francês Yves Klein, que fez de tal cor a grande marca registrada de sua obra, a partir do final da década de 1950.
Imagem: Antropometrias da Época Azul/Yves Klein
A menção, indireta na chamada, mas direta no bigode da galeria de imagens editada pelo site da revista, a Yves Klein — mesmo em uma revista que tem como principal característica a moda das celebridades e um público feminino nem tão especializado — mostra como arte e moda podem travar uma conversa.

Renascimento, Barroco, Rococó... As conexões (e colaborações) entre Salvador Dalí e Schiaparelli, o Manifesto Futurista da Roupa Masculina de Giacomo Balla... Balenciaga revivendo, inúmeras vezes, a pintura renascentista, Saint-Laurent e seu imortal tubinho com abstração geométrica, inspirado em Mondrian.

Esses poucos exemplos são capazes de mostrar que a arte inspira a moda e é, portanto, absolutamente necessário que, aquele que quiser conhecer um pouco mais do universo fashion, tenha o mínimo de curiosidade pelas manifestações artísticas. A Estilo, ao evocar o Azul-Klein, não o faz unicamente porque a cor é patenteada. Com plena certeza, a revista tenta chamar suas leitoras a aprender um pouco mais sobre o universo das artes e suas conexões com a moda.

Muito boa a intenção da revista! Estão de parabéns!

E para não deixar sua marca de praticidade. O site da revista traz os motivos "Por que amamos" e as dicas de "Como usar" a cor! O link está aí embaixo! Enjoy!

Link relacionado
Na Estilo: Azul-klein

1 de dezembro de 2012

A cintura polêmica de Thairine Garcia na capa da Elle de dezembro


Estou de volta com o blog! Dei uma parada por uns bons meses porque estive em campanha política e as coisas ficaram apertadas. Até colocar tudo no lugar, só agora é que estou voltando com as atividades por aqui.

Foi só a Elle Brasil publicar a capa da sua edição de dezembro no Facebook para os haters aparecerem, detonando a (falsa/ideia de) cintura da modelo Thairine Garcia. Disseram que foi photoshop, que a cintura dela sumiu, que houve problema no retoque, chamaram de exagero.
Imagem: Reprodução / Foto: Bob Wolfenson
Mas o lance não é bem assim. Thairine foi fotografada por Bob Wolfenson, usando vestido preto e branco Lanvin, com direção e coordenação de moda por Susana Barbosa e Rita Lazzarotti, respectivamente. O styling da produção — a forma como a roupa foi vestida na modelo — criou uma curva, dando a impressão de uma cintura ultrafina. Na Vogue Brasil de setembro, Carol Trentini usou o mesmo vestido (foto abaixo), com os babados brancos posicionados nas laterais e, nessa imagem, é possível ver — claramente — que existe uma parte preta na roupa.
Foto: Fábio Bartelt
Um camarada e eu fomos ao Facebook defender a publicação, contando a história de o vestido ser preto e branco e ter dado essa impressão, já que a sombra da modelo no fundo fez a parte escura da roupa quase sumir. Então, um hater veio dizendo que a Elle cometeu um erro de direção de fotografia. Aí vem a análise do conjunto da capa para mostrar que tudo foi proposital.

A chamada em destaque é em inglês e diz Be a star (Seja uma estrela). Só isso, já nos dá alguns subsídios. Segundo Morin, as primeiras celebridades, que ele chama de estrelas, aparecem nos cinemas americano e europeu entre 1913 e 1919. Nos anos de 1930 e 1940, o cinema vai conhecer sua Era de Ouro e nos anos 1950, os musicais hollywoodianos chegariam a seus ápices.

É inegável que a imagem da capa tem inspiração na figura icônica de Marilyn Monroe, estrela do cinema dos anos de 1950 e símbolo sexual da época. A década de 1950 é marcada pela volta do glamour e da sofisticação. É o período dos "anos dourados" da alta-costura. O New Look de Dior, criado em 1947, vai acabar por definir a estética da década de 1950: cintura de vespa e saias rodadas. A ilusão criada pela foto da capa da Elle de dezembro é inteligentíssima ao mostrar curvas impossivelmente sinuosas, quando, em 1950, a ilusão da cintura cada vez mais fina era também conseguida por meio das saias mais rodadas. A capa conversa com a figura de Marilyn, com a estética forjada dos anos 1950 e, sua foto, reforça o convite da chamada principal: Be a star (linda e sexy como foi Marilyn).

Uma coisa divertida é que, como um pedido de desculpas pela falsa silhueta ultra feminina e sexy da modelo Thairine Garcia, a capa traz uma chamadinha fantástica para uma matéria com Miuccia Prada em que publica-se a seguinte afirmação, entre aspas: "Uma mulher é ou não é sensual. Um vestido não traz amor a ninguém." E aí eu traduzo: Thairine (ou você, leitora) não precisa do artifício do vestido. Se ela (você) for de fato uma mulher sensual, não é o vestido que lhe trará o amor. Uma capa linda, que já vem com resposta aos haters. Gostei demais!

Links relacionados
Do Facebook da Elle: Timeline photo
Da Elle: Thairine Garcia é a estrela da edição de dezembro da Elle Brasil